CRISTINA
BALDAIA
ADVOGADA
PORTUGUESA
( RESIDENTE NOS EUA)
Não
sei quanto a si que está a ler, mas desde os bancos da escola primária que o difícil foi sempre começar. Muito mais
quando se trata de partilhar com os outros, por escrito, o que
guardo na alma com tanto amor..
Quando
me veio à mente a certeza, que todos temos, de que podemos
partir desta vida a qualquer instante, foi fácil pensar no
« poema » que gostaria de deixar para trás.
O meu testemunho de Jesus, o Nazareno. Aquele que caminhou de
sandálias e vestes singelas, a desbravar os caminhos
poeirentos desta terra para, com o coração,
acrescentar-nos o chão.
Marcou
a historia como ninguém. Veio como pastor de almas, na mais
humilde condição, embora fosse o Messias, o Filho de
Deus. Deixou-nos a esperança, que a todos move,
independentemente da origem, da religião.
Se
O seguissemos, inúteis seriam religiões, organizações,
reuniões…Mas, imperfeitos como somos, diariamente nos
afastamos Dele e em Nome Dele, ao longo dos tempos se foram travando
cruzadas, guerras, chamadas santas !
De
todo o Seu legado faz parte a Igreja que porta o Seu Nome : A
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Foi
em Coimbra, aos 22 anos, que conheci os missionários, de
camisa branca e gravata. Sempre atarefados, de « livro »
em punho. Alguém me tinha dito que eram uns americanos ricos,
que repudiavam as heranças em nome de um Deus maior, a quem
devotariam o resto das vidas. Fiquei perplexa e lembro-me de ter
pensado « Magnânimo…mas, que desperdício,
tão jeitosos que são ! Giros e espirituais, a
combinação utópica. Estes é que davam uns
ricos pais de família e optam pelo celibato! »
Felizmente,
numa tarde solarenga ao regressar das aulas, dois daqueles “
jeitosos “ abordaram-me e, com a maior simplicidade,
perguntaram-me se gostaria de ouvir falar de Deus. Logo eu, que há
muito perguntava por que razão Deus, se existia, tinha sido
tão injusto e não nos dava profetas nem apóstolos
como havia feito há tantos séculos atrás ?
Foi
o início da maior caminhada da minha vida. As perguntas
aumentaram, as respostas também. Com o tempo foi-se
clarificando o entendimento firmando na alma a certeza de que esta
não era apenas uma igreja com bons princípios, mas sim
a Igreja com a autoridade para representar Cristo. A única,
por muito presunçoso que soe.
A
história da Igreja dos mórmons, como tantos nos chamam,
tem conhecido períodos difíceis, alguns indescritíveis
de tão hediondos. O massacre de Mountain Meadows, a poligamia;
a negação do sacerdócio aos homens de raça
negra…
Todavia,
permitam-me dizer-vos o que de mais valioso tenho aprendido nesta
Igreja, os homens são imperfeitos, a doutrina não. O
Livro de Mórmon é verdadeiro.
Zeca
Afonso cantou « não há machado que corte a
raiz ao pensamento », eu acrescentaria “nem ao
testemunho gravado pelo poder do Espírito Santo».
Cristina
Baldaia da Costa
Advogada
“em sabático”, Mãe a “tempo-inteiro”
Estaca
de Lindon-Utah
Portuguesa,
de alma e coração